Nós todos somos o amanhã!

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Tuesday, 12 January 2016

Mães, não abandonem seus filhos por causa da deficiência!

Aedes aegypti, Dengue, Chikungunya e Zica - uma epidemia, de fato. Enquanto todo o Brasil está preocupado com um surto de microcefalia, eu, Consuelo, estou alarmada com a quantidade de mães pensando em abortar ou abandonar seus filhos por causa da microcefalia. E meu medo não é infundado: famílias realmente abandonam crianças com microcefalia e paralisia cerebral !

Ser mãe de uma criança com deficiência é apenas SER MÃE, no sentido mais amplo da palavra, ser a mãe que toda criança deveria ter, tenha ela alguma deficiência ou não! E também é ser muito amada.


Quando decidi ter um filho, não sabia que ele seria "diferente" mas já sabia que minha vida iria mudar completamente, que eu perderia minha independência, deixaria de ser dona de mim mesma, de ser a prioridade em minha vida, dona de minhas vontades para ser simplesmente mãe de alguém muito desejado e especialmente amado. E foi exatamente o que aconteceu, assim que a gravidez foi confirmada, deixei de ser eu, Consuelo, com todos os meus predicados sociais e profissionais para ser a "mãe do Arthur"!

Ser mãe é um "cargo" para o qual não temos direitos à férias, folga, hora de descanso, lanche ou almoço - é um caminho sem volta, um compromisso para a vida inteira!

Pode parecer um exagero de minha parte mas, para mim, nenhum pai ou mãe podem ou devem respirar aliviados em momento algum, NUNCA! O respirar aliviado ou uma piscada de olho são responsáveis por acidentes terríveis e permitem que os pais faltem com seu dever de cuidado. Quantos descuidos permitem que crianças crianças saudáveis se tornem crianças deficientes após uma queda, se afoguem em uma piscina ou sofram queimaduras horríveis em "acidentes" domésticos?


Gravidez e Maternidade são assuntos muito sérios, vinculados necessariamente ao desejo de assumir uma grande responsabilidade e fazer renúncias e por isso mesmo, trata-se de uma decisão que não devem ser tomada de forma inconsequente, no calor da juventude. Casei e engravidei depois dos trinta anos, com carreira estabilizada e sucesso profissional, depois de ter viajado bastante e, porque não dizer, curtido bem a vida. Por isso mesmo, não lamento, em momento algum, todas as mudanças que tive que operar em minha vida nem das escolhas que fiz, pois largar tudo para cuidar do Arthur foi um preço muito pequeno comparado a descoberta do amor incondicional e ao prazer diário que tenho quando estou no foco daquele olhar especial, que só ele sabe me direcionar.

Não vou fingir que criar qualquer criança é uma tarefa fácil, não é, ainda mais quando precisa de estimulação precoce e cuidados especiais. Mas quem disse que não se trata de algo prazeroso e cheio de recompensas? É tudo uma questão de valores e pontos de vista.

Eu sei que abdiquei de uma carreira internacional, viagens, e do amado magistério para acompanhar cada sessão de fisioterapia, dar cada banho, trocar fralda e ainda não deixei de ser esposa ou de trabalhar fora - vivo na jornada tripla da mulher moderna, usando usar os intervalos com sabedoria e dormindo menos, mas vivo muito feliz e meu cansaço é também revigorante!

Não transfiro minhas obrigações de mãe ou delego nenhuma atividade direta com meu filho sem minha presença, apesar de ter enfermagem tempo integral! Ser mãe não se resume em dar à luz, é suprir, proteger, criar, educar, é ser o "primeiro tudo" do filho: primeiro médico, primeiro enfermeiro, primeiro terapeuta, primeiro professor... a mãe é a pessoa mais próxima do filho, é quem está sempre ao alcance para prestar a primeira informação ou o primeiro socorro - esse é o meu lugar, um lugar do qual não abdico em momento algum e não cedo para ninguém, apenas para meus pais, que me criaram para ser exatamente a mãe que sou! E digo mais, se a mãe não é a pessoa mais próxima do filho, é porque algo está errado, muito errado!



Dez anos já se passaram desde que ele foi desenganado em uma UTI neonatal, sua sentença era clara: “ ele não vingaria, seria completamente surdo, nunca andaria, sentaria ou teria controle da própria cabeça, viveria como um vegetal, preso à maquinas e jamais dos 5 anos de idade.” Como médicos podem dar uma sentença assim? Ninguém pode, em momento algum, avaliar o potencial de uma pessoa e condená-la à morte, à exclusão, à uma condição de pessoa de segunda classe em cima de diagnósticos médicos, muitos dos quais podem ser totalmente equivocados.




E como eu sempre digo: "Se alguém tem que ser exigente com ele, obrigá-lo a comer quando não quer, impor obstáculos, remédios e exercícios muitas vezes indesejados, esta pessoa tem que ser EU, a mãe dele, a mesma mãe que vela seu sono, o acaricia e o esquenta durante às noites. Não gosto que ninguém mais o alimente, o acalente, brinque com ele ou o faça dormir. Gostaria de ter super poderes para não precisar dormir, comer ou descansar, para não precisar ter que dividi-lo com ninguém. Gostaria de ter oito braços, uma coluna de ferro e energia para ficar 24 (vinte e quatro) horas por dia em alerta."

É por isso que faço um apelo: MÃES, NÃO ABANDONEM SEUS FILHOS POR CAUSA DA DEFICIÊNCIA, eles precisam de nós mas também precisamos deles, acredito sinceramente que eles fazem muito mais por nós do que nós por eles, são os únicos seres que sabem amar sem medida e ensinar o verdadeiro significado de amor incondicional.  Sei que somos humanas, erramos, cansamos mas optem por buscar ajuda ao invés de desistir.

Aproveito para disponibilizar nosso canal no Youtube aonde compartilho vídeos mostrando que ser feliz,  amar, criar e educar uma criança com deficiência. 









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